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31 de out. de 2016

Sergipe

No Brasil, mas não exclusivamente aqui, há o vício de chamar de "brasão" aquilo que não o é. Por exemplo, muitos utilizam o termo, até de maneira oficial, para designar uma insígnia sem escudo. A simples presença de um escudo não faz de uma insígnia um brasão, no sentido mais técnico da palavra, mas não existe brasão sem escudo!

Muitos chamam de "brasão" o que a lei — de maneira, talvez, mais sábia — chama de "selo" do estado de Sergipe. Como podemos constatar, o "selo" não possui escudo, e só pode ser confundido com um brasão por mera analogia.

"Selo" atual do estado de Sergipe.

A insígnia apresenta um índio, supostamente o líder indígena Serigi (ou Serigy), tendo contato com um balão de ar quente, sendo a palavra "PORVIR" gravada em seu envelope. É, portanto, uma metáfora ao passado e futuro do estado, lado a lado — quando o professor Brício Cardoso o desenhou, por volta de 1892, balões eram o suprassumo da engenharia aeronáutica. Ao fundo, uma paisagem, que apenas torna mais absurda a classificação da insígnia como brasão.

Tendo em vista o exposto, gostaria de propor o seguinte brasão para o estado de Sergipe:

Sergipe (proposta): De vermelho, sol de ouro em seu esplendor; em contrachefe, uma faixa ondada de prata carregada de três siris do campo.

O sol do escudo, além de propícia referência às belezas do estado, alude ao brasão assinalado ao Sergipe durante o período holandês, como já vimos aqui.

Sergipe (histórico)

A faixa com os siris remete à etimologia consagrada do nome do estado, que significa "no rio dos siris" em tupi antigo, alusão ao rio Sergipe.

Aprofundando minha pesquisa, descobri que a faixa ondada com siris já foi usada para se aludir ao Sergipe na heráldica da Marinha. Por exemplo, o brasão do CT (contratorpedeiro) Sergipe (D-35), já desmanchado, e da Capitania dos Portos de Sergipe:

CT Sergipe (D-35) e Capitania dos Portos de Sergipe, respectivamente

Tais brasões exemplificam porque, em minha opinião, a Marinha é a força armada que produz heráldica de melhor qualidade no Brasil, atualmente.

Apenas por curiosidade, decidi brasonar o distintivo do antigo CT Sergipe. Ele continha um pentágono invertido, tradicional na heráldica da marinha de muitos países e provável alusão aos cinco oceanos (Pacífico, Atlântico, Índico, Glacial Ártico e Glacial Antártico).

CT Sergipe (D-35): De azul, faixa ondada de prata carregada de dois siris de vermelho.

Devo lembrar que minha crítica, construtiva, é direcionada ao "brasão", não ao estado. Dito isso, comentários são muito bem-vindos.

19 de out. de 2014

Recife (PE)

Hoje falaremos sobre o brasão do Recife, a "Veneza brasileira" e a Mauritsstad de Nassau.


O brasão da cidade é cortado. Em chefe, a bandeira de Pernambuco, a mesma derivada da bandeira da Revolução Pernambucana de 1817. No contrachefe, uma vista do extremo norte do Recife, com o farol e o forte da Barra. Os suportes faz tanto alusão ao brasão do conde João Maurício de Nassau-Siegen quanto ao apelido de "Leão do Norte", ganho devido às lutas da população do estado.

Maurício de Nassau: Esquartelado: I - De azul, bilhetado de ouro, um leão de ouro, armado e lampassado de vermelho (Nassau); II - De ouro, leopardo leonado de vermelho, armado, lampassado e coroado de azul (Katzenelnbogen); II - De vermelho, uma faixa de prata (Vianden); IV - De ouro, dois leões leopardados de ouro, armados e lampassados de azul (Dietz).

Minha interpretação das armas do Recife:

Recife: Cortado: I - De azul, um arco-íris de vermelho, ouro e verde entre uma estrela e um sol de ouro em pala, uma cruz latina de vermelho num contrachefe de prata; II- Vista para o farol e o fortim da Barra, tudo da sua cor.

Na minha humilde opinião, o brasão do Recife não está à altura da cidade, uma vez que o uso de paisagens realistas em brasões não é de bom gosto. Na minha humilde opinião, juntando-se elementos do brasão e da bandeira da cidade, pode-se obter um resultado mais efetivo.

Bandeira do Recife.

A escolha mais imediata para a cor do leão seria o dourado:

Recife (proposta): De prata, leão coroado cosido de ouro, armado e lampassado de vermelho, entre suas garras uma cruz latina do mesmo; chefe de azul, um arco-íris de vermelho, ouro e verde entre uma estrela e um sol de ouro em pala.

Contudo, o brasão contraria a regra da contrariedade dos esmaltes ao sobrepor um metal sobre outro (leão de ouro em fundo de prata). Minha segundo proposta utiliza um artifício para resolver tal problema:

Recife (proposta): De prata, leão da sua cor, coroado de ouro, entre suas garras uma cruz latina do mesmo; chefe de azul, um arco-íris de vermelho, ouro e verde entre uma estrela e um sol de ouro em pala.

Comentários, sugestões e correções são bem-vindos.